"POLÍCIA DE MADURO INVADE ONG/AIDS VENEZUELANA E LEVA REMÉDIOS DOADOS PELA ONU, QUE SERIAM DISTRIBUÍDOS ÀS PESSOAS QUE VIVEM COM HIV NO PAÍS"

Policiais da ditadura de Nicolás Maduro invadiram na sexta feira (17/02) a Fundação Mãos Amigas para a Vida, Mavid, na cidade de Valencia, estado de Carabobo, e levaram medicamentos antirretrovirais doados pela ONU que serial distribuídos às pessoas que vivem com HIV no país.

A denúncia foi confirmada pelo Conselho Internacional para Organizações de Serviços de Aids (ICASO). A polícia levou também e ainda prendeu três ativistas de direitos humanos que trabalham para a organização.

"Estamos com medo da segurança de nossos ativistas e pedimos ajuda à comunidade global, não somente para nós, mas para todas as pessoas que vivem com HIV na Venezuela, pediu Alberto Nieves, diretor executivo da Acción Ciudadana Contra el SIDA Venezuelana".

Os venezuelanos que vivem com HIV estão morrendo por causa da falta de medicamentos antirretrovirais no país. Duas remessas com 300.000 frascos do antirretroviral Tenofovir, Lamivudine e Dolutegravir (TLD) que o Fundo Estratégico Pan-Americano da Organização da Saúde comprou chegaram à Venezuela em 23 de dezembro de 2018 e em 16 de janeiro de 2019.

A Fundación Mavid está entre as mais de duas dúzias de organizações venezuelanas de serviços e defesa do HIV/AIDS que enviaram cartas ao ministro da Saúde Carlos Alvarado em 4 de fevereiro, para dizer que nenhuma das remessas foi distribuída, e continuam retidas em depósitos militares. As cartas também observam que "milhões e milhões de pílulas de medicamentos antirretrovirais são armazenados e retidos sem justificativa nesses depósitos".

Na segunda-feira, o Washington Blade conversou com o presidente da Fundación Mavid, Eduardo Franco, que também é secretário da Red Venezolana de Gente Positiva, um grupo nacional de defesa de HIV/AIDS que está baseado na capital venezuelana de Caracas, sobre a situação dos venezuelanos com HIV / AIDS. .

"Temos uma situação muito séria, disse Franco. O agravamento da crise econômica e política da Venezuela exacerbou a situação já precária de pessoas com HIV/AIDS. Milhões de venezuelanos migraram para a vizinha Colômbia e outros países nos últimos anos".

NOSSA HISTÓRIA CONTINUA. A NOSSA E A DE CADA PESSOA VIVENDO COM HIV!


Por ocasião do Dia mundial de luta contra a aids, o Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP produziu e publicou um vídeo documentário, com depoimentos de pessoas que vivem com hiv. O objetivo foi sensibilizar o público, por meio das histórias dessas pessoas. A mensagem que se pretendeu passar é que o hiv não as tornam diferentes. O que os fazem ser diferentes é o preconceito, a ignorância e a falta de amor para com o próximo. A consciência desprovida do entendimento a respeito do assunto é o grande desafio a ser superado.

Não devemos julgar as pessoas. Cada um tem sua história, sonhos, sentimentos, deficiências, qualidades, defeitos... Se todos somos iguais em termos humanos, então porque não enxergar além do preconceito em relação aos portadores de hiv?

Assistam ao vídeo e saibam que, a luta contra aids não se dá apenas no dia 1º de Dezembro de cada ano e sim todos os dias. A luta pela vida faz parte do dia a dia de todos nós. Se lutarmos juntos faremos dessa etapa da existência algo muito mais leve, proveitoso e rico.
...........................................................................................................

REALIZAÇÃO: Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP

ENTREVISTADOS: Laerte Vicente da Silva,  Marcelino Pereira da Costa, Marco Aurélio Tavares bastos, Rosana Garcia Cassanti.

"UNAIDS ATUA PARA EVITAR A FALTA DE ANTIRRETROVIRAIS PARA PESSOAS QUE VIVEM COM HIV NA VENEZUELA"

Raiza Farnataro vive na movimentada cidade de Barquisimeto, na República Bolivariana da Venezuela, a cerca de cinco horas de distância de Caracas. Tendo vivido com HIV por 18 anos, ela costumava ter acesso ao tratamento através do sistema público de saúde. No entanto, como a situação econômica no país piorou, os medicamentos tornaram-se escassos e ela começou a temer por sua vida. "Depois de dois anos sem tratamento, ela viajou para a fronteira com a Colômbia, onde podia comprar remédios superfaturados de farmácias ou ter acesso a medicamentos doados por organizações não governamentais".

Farnataro é apenas uma entre as cerca de "62 mil pessoas que vivem com o HIV no país e que iniciaram o tratamento, mas não têm acesso consistente aos medicamentos antirretrovirais", de acordo com a Rede Venezuelana de Pessoas Positivas. "A consequência foi severa. As taxas de hospitalização entre as pessoas que vivem com o HIV dispararam e estima-se que ocorram de 20 a 30 mortes relacionadas à AIDS todos os dias". Em setembro de 2018, estima-se que 7.700 venezuelanos vivendo com o HIV tenham se juntado aos migrantes que chegavam aos países vizinhos.

A atual crise humanitária está levando a uma drástica e alarmante regressão da resposta nacional à AIDS, comparável e até pior que a que se experimentou no início da epidemia de HIV nos anos 80!

Disse o ativista em HIV Alberto Nieves da ONG Ação Cidadã contra a AIDS (ACCSI, na sigla em espanhol). "Mortes, deterioração progressiva da saúde, fome, negação de acesso a serviços de saúde e tratamento do HIV, discriminação, migração em massa e xenofobia são as principais implicações desta crise para todas as pessoas com HIV no país". Em 2017, a pesquisa encomendada pelo UNAIDS à ACCSI gerou a primeira evidência concreta da escassez de medicamentos antirretrovirais, outros medicamentos e reagentes para o HIV.

A prevenção do HIV também foi prejudicada. Os especialistas estão preocupados com o fato de que o acesso a tratamento irregular poderia alimentar a resistência às drogas, tanto na Venezuela quanto nos países vizinhos. "Apenas cerca de um quarto das mulheres grávidas estão sendo rastreadas para o HIV e sífilis. Por causa da escassez de alimentos, algumas mães que vivem com o HIV estão optando por amamentar".

Nos últimos dois anos, o UNAIDS coordenou ações com o Ministério da Saúde da Venezuela, a sociedade civil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e outras entidades das Nações Unidas e parceiros de desenvolvimento para melhorar o acesso ao tratamento de adultos e crianças vivendo com HIV no país e entre pessoas em movimento. O UNAIDS se uniu à sociedade civil e à OPAS para apoiar a alocação de 5 milhões de dólares pelo Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária para o componente HIV de um plano de coordenação e apoio à resposta a estas três epidemias presentes no país.

Em parceria com a organização Aid for AIDS International, o UNAIDS recebeu mais de 60 toneladas de medicamentos antirretrovirais, que foram distribuídos a pessoas através de centros de distribuição administrados pelo estado. O UNAIDS também coordenou a doação e distribuição de kits de testes e produtos substitutos do leite materno.

"Graças ao apoio do UNAIDS, da Rede de Pessoas Positivas da Venezuela e de outros parceiros estratégicos, conseguimos garantir que o tratamento fosse recebido e distribuído no país em 2018. Os nossos esforços ajudaram a reduzir o impacto da crise, garantindo tratamento a um percentual significativo de pessoas com HIV", explicou Jesús Aguais, Director Executivo do Aid for AIDS. "Caso contrário, acrescentou ele, a tragédia teria sido maior".

"Esta ação salvou vidas. Nos últimos seis meses, a Sra. Farnataro recebeu seus medicamentos antirretrovirais através do sistema público de saúde, graças à doação da Aid for AIDS International".

Como membro da Plataforma de Coordenação Regional Interagencial para Refugiados e Migrantes da Venezuela, o UNAIDS também defende os direitos e as necessidades de acesso a tratamento dos migrantes que vivem com o HIV. As prioridades incluem o estabelecimento de um observatório da sociedade civil para monitorar o acesso aos serviços de saúde e discriminação, a distribuição de materiais de comunicação em torno de prevenção, tratamento e assistência e advocacy para abordar a discriminação e a xenofobia.

Em meio a tudo isso, o UNAIDS insiste na necessidade de continuar fortalecendo a resposta do país ao HIV. "Precisamos de trabalho contínuo com diversos atores nacionais e internacionais para o bem-estar de todos os venezuelanos e para garantir a saúde e a qualidade de vida de todas as pessoas vivendo com HIV na Venezuela", disse a Diretora do UNAIDS no país, Regina Lopez de Khalek. “Estamos trabalhando para que o país não seja deixado para trás no esforço global para acabar com a AIDS.”

FONTE: UNAIDS BRASIL

"VACINA ITALIANA REDUZ RESERVA DO VÍRUS HIV EM 90% E ABRE NOVAS PERSPECTIVAS PARA A CURA DA AIDS"

Uma vacina terapêutica (TAT) desenvolvida na Itália conseguiu reduzir em 90% a "reserva de vírus latente" em pacientes contaminados com o HIV. O estudo, conduzido pelo Centro de Pesquisas contra a Aids do Instituto Superior de Saúde (ISS), órgão ligado ao governo italiano, foi publicado no periódico Frontiers in Immunology e abre novas perspectivas para a cura da doença.

"Os resultados abrem perspectivas para uma terapia capaz de controlar o vírus mesmo depois da suspensão dos remédios antirretrovirais".

De tal modo, surgem oportunidades preciosas para a gestão clínica em longo prazo das pessoas com HIV, reduzindo a toxicidade associada aos remédios, melhorando a aderência à terapia e a qualidade de vida (Barbara Ensoli, diretora do Centro de Pesquisas contra a Aids).

"A vacina TAT foi aplicada em pacientes de oito hospitais italianos e reduziu o reservatório de HIV latente em 90% em um período de oito anos - o vírus latente, ou seja, que está inativo, não é afetado pelos medicamentos antirretrovirais".

QUEM VIVE COM HIV, QUANDO TEM ACESSO AO TRATAMENTO, TORNA-SE INDETECTÁVEL. VOCÊ TEM IDÉIA DO QUE ISSO SIGNIFICA NA VIDA DESSAS PESSOAS?

O DIAHV - Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde criou um espaço online que conta, por meio de vídeos, fotos e relatos, as histórias de vida de 13 pessoas que vivem com o vírus, e que estão com carga viral indetectável no organismo. O objetivo é informar e provocar a reflexão sobre como é viver com HIV e a importância de estar indetectável.

"Todos os personagens contam em suas histórias como receberam o diagnóstico, a luta pela aceitação, as dificuldades para aderirem ao tratamento e como estão conseguindo superar o estigma e o preconceito". 

Alguns vivem com o vírus há quase 30 anos, e todos possuem ótima adesão ao tratamento antirretroviral e por isso estão com a carga viral indetectável no organismo, o que os permite levar suas vidas trabalhando, namorando, fazendo planos. "Estar indetectável é uma condição alcançada através do uso correto dos medicamentos antirretrovirais que faz com que as pessoas vivendo com HIV alcancem a chamada carga viral indetectável"..

"Comprovações científicas demonstram que além da qualidade de vida, a condição de se estar indetectável significa que essas pessoas não mais transmitem o HIV por via sexual".

Essa é uma condição transformadora para quem vive com o vírus, "porque significa que a infecção está controlada, que os sonhos e planos para o futuro não precisam ser interrompidos, e que a vida pode seguir seu rumo natural".

UM RESUMO DOS ASSUNTOS ABORDADOS NO SITE:

INDETECTÁVEL: Para a medicina, é uma meta de tratamento. Mas, para quem vive com o HIV, estar indetectável é uma outra palavra. Representa esperança, sonhos e planos para o futuro. Para se tornarem indetectáveis, as pessoas que vivem com o vírus precisam utilizar os medicamentos antirretrovirais regularmente, o que permite que o seu sistema imunológico se recupere. Isso evita o adoecimento, e também significa que a pessoas que está indetectável não transmite o HIV por via sexual.

Todas as pessoas que vivem com HIV, se tiverem acesso ao sistema de saúde e à medicação adequada, podem se tornar indetectáveis. Porém, a adesão ao tratamento envolve muito mais que tomar comprimidos todos os dias. A força de quem vive com HIV também vem do apoio de profissionais de saúde, família, amigos, colegas de trabalho e de cada um de nós.

CARGA VIRAL: É um exame que mede a quantidade de vírus presente em um certo volume de sangue. Portanto, quanto maior o valor da carga viral, maior é a quantidade de vírus. Os resultados do exame de carga viral são fundamentais para avaliar a adesão e a eficiência do tratamento e, por isso, devem ser feitos regularmente. Quando uma pessoa vivendo com HIV (PVHIV) inicia a terapia com medicamentos antirretrovirais (TARV), sua carga viral cai drasticamente.

Para quase todas as pessoas que estão tomando os medicamentos diariamente e de forma correta, a carga viral diminui para níveis indetectáveis em menos de seis meses. Se após esse período a carga viral ainda não estiver indetectável, é preciso avaliar a terapia antirretroviral, se há interações medicamentosas com outras substâncias, bem como se o uso dos medicamentos está sendo feito corretamente.

ANTIRRETROVIRAIS: Os primeiros medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980. Eles agem inibindo a multiplicação do HIV no organismo e, consequentemente, evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. O desenvolvimento e a evolução dos antirretrovirais para tratar o HIV transformaram o que antes era uma infecção quase sempre fatal em uma condição crônica controlável, apesar de ainda não haver cura. Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para garantir o controle da doença e prevenir a evolução para a AIDS.

A boa adesão à terapia antirretroviral (TARV) traz grandes benefícios individuais, como aumento da disposição, da energia e do apetite, ampliação da expectativa de vida e o não desenvolvimento de doenças oportunistas. Também pode-se dizer que o tratamento pode ser usado como uma forma de prevenção muito eficaz para pessoas vivendo com HIV, evitando, assim, a transmissão do HIV por via sexual.

ADESÃO AO TRATAMENTO: Consiste na utilização correta dos medicamentos antirretrovirais (ARV), ou seja, da forma mais próxima possível àquela prescrita pela equipe de saúde, respeitando as doses, horários e outras indicações. Entre as principais causas de má adesão estão: o esquecimento, as mudanças na rotina diária, o número excessivo de comprimidos e os efeitos colaterais causados pelos antirretrovirais. É bom lembrar que os efeitos colaterais diminuíram muito com os medicamentos mais modernos.

Considera-se uma boa adesão tomar os medicamentos com frequência de 90%-95% durante o mês. Outro elemento importante para a adesão é a inserção social da pessoa vivendo com HIV, o apoio da família e dos amigos e, fundamentalmente, o acolhimento pelos profissionais e serviços de saúde.

TRATAMENTO COMO PREVENÇÃO - PROFILAXIA PÓS EXPOSIÇÃO (PEP): É uma medida emergencial para pessoas que possivelmente foram expostas ao vírus HIV por meio de acidentes sexuais ou ocupacionais, consiste no uso de medicamentos para evitar o risco de infecção pelo HIV. Por se tratar de uma urgência médica a medicação deve ser iniciada o mais rápido possível, "preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição e no máximo em até 72 horas". A duração da PEP é de 28 dias e a pessoa deve ser acompanhada pela equipe de saúde. Saiba mais "clicando aqui".

PROFILAXIA PRÉ EXPOSIÇÃO (PrEP): A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste no uso de medicamentos diários para pessoas que não têm o HIV, que impedem que o vírus causador da aids infecte o organismo. Está disponível no SUS para alguns segmentos mais vulneráveis e de acordo com avaliação do profissional de saúde. Saiba mais "clicando aqui" .


"MULHERES VIVENDO COM HIV TÊM ATÉ 5 VEZES MAIS CHANCES DE DESENVOLVER CÂNCER DE CÓLO DO ÚTERO"

Em 2018, estima-se que 570 mil novos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo e 311 mil mortes decorrentes da enfermidade tenham sido registrados. Nesta segunda-feira (4), Dia Mundial contra o Câncer, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lembra que: "as mulheres que vivem com HIV são até cinco vezes mais propensas a desenvolver esse tipo de tumor". Agência pede articulação de serviços de HIV com os de prevenção da doença.

Em publicação para marcar a data, a agência da ONU ressalta que, assim como o HIV, o câncer de colo do útero é um problema de saúde alimentado por desigualdades sociais, econômicas e políticas. Os países de baixa renda são os que mais sofrem, com quase 80% de todos os casos e 90% das mortes por esse tipo de tumor.

"A enfermidade pode ser evitada com a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) e, caso seja detectada e tratada precocemente, pode ser curada. Se a prevenção, triagem e tratamento do câncer de colo do útero não forem urgentemente ampliados, especialistas estimam que, até 2040, pode haver um aumento de 50% nos óbitos pela patologia em relação aos níveis de 2018".

De acordo com o UNAIDS, o HIV e o câncer de colo do útero estão fortemente entrelaçados. "O câncer cervical é o mais comum entre as mulheres que vivem com HIV, que são até cinco vezes mais propensas a desenvolver esse tipo de tumor do que outras mulheres". Na África Subsaariana, o câncer de colo do útero é o câncer mais fatal entre as mulheres.

Apesar dos riscos maiores entre esse segmento populacional, "muitas mulheres vivendo com HIV não têm acesso a exames regulares ou tratamento para o câncer de colo do útero". Um estudo de 2016 no Malauí mostrou que apenas 19% das mulheres entre 30 e 49 anos e que viviam com HIV já haviam sido examinadas para esse tipo de câncer. Entre as mulheres mais pobres, o índice caía para 2%.

"É inaceitável que mulheres em todo o mundo estejam morrendo por conta do câncer de colo do útero porque não têm acesso a vacinas capazes de salvar vidas, exames e tratamento", ressalta a consultora especial do UNAIDS, Ani Shakarishvili.

“Salvamos a vida de uma mulher garantindo que ela tenha acesso à terapia antirretroviral para o HIV, mas ela morre devido ao câncer de colo do útero. Os serviços devem estar integrados e disponíveis a todos, sem exceção".

A vinculação entre o exame do câncer de colo do útero e os serviços de HIV é rentável e salva vidas, aponta o UNAIDS. Em oito países da África Subsaariana, o programa está trabalhando com o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR) e com o Instituto George W. Bush para integrar os exames e cuidados do câncer de colo do útero às clínicas onde as mulheres têm acesso aos serviços de HIV. A parceria visa reduzir em 95% o aparecimento do câncer de colo do útero.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou recentemente que vai elaborar uma estratégia para eliminar o câncer de colo do útero como um problema de saúde pública global, uma medida bem recebida pelo UNAIDS. "Como na resposta global à AIDS, devemos abordar a prevenção e o tratamento do câncer como uma oportunidade para liderar uma ampla coalizão, exigindo a saúde como um direito humano fundamental e universal", acrescentou Ani.

Em 4 de fevereiro, Dia Mundial contra o Câncer, o UNAIDS reafirma o seu apoio ao chamado global para eliminar o câncer de colo do útero e abordar as desigualdades. O programa pede uma maior conscientização e acesso a prevenção, exames e tratamento de meninas e mulheres em risco, incluindo meninas e mulheres vivendo com HIV.

CÍCERO (73 ANOS): MINHA FAMÍLIA ME REJEITOU, ME COLOCOU NO FUNDO DO POÇO POR EU TER HIV!

(Homem de 73 anos vive sob o risco de ser despejado pelo irmão, devido ao preconceito contra sua homossexualidade e o HIV. Ele pediu para não ter o rosto revelado. Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay)

"Cícero, de 73 anos, foi rejeitado pelos parentes por estar infectado, ser gay e não ter tido filhos e mulher; especialista alerta que há médicos que ignoram vida sexual do idoso na prevenção de doenças".

Cícero Moraes tinha 54 anos quando o fantasma do HIV lhe tirou o sono, em 2000. Ele era guia de viagens e, numa de suas passagens pelos pontos turísticos do Brasil, um sexo casual sem proteção lhe deixou marcas para o resto da vida.

Próximo da velhice e diante dos tabus que existem por trás da sexualidade de idosos, ele começou a sentir medo do vírus destruir seu corpo e sua saúde mental. As suspeitas começaram quando mal-estares se tornaram frequentes e o fez procurar um médico. "Minha boca começou a ficar cheia de afta, me faltava apetite, defecada líquido e vivia com ânsia de vômito", afirma.

"Foi a partir daí que o diagnóstico da doença veio junto ao sentimento de solidão. Ele avisou a família sobre o problema e, em vez de encontrar amparo, deu de cara com o julgamento e a rejeição dos parentes. Fui excluído por eles. Só me disseram que se eu tivesse tomado cuidado, eu não estaria assim, recorda". 

Segundo o boletim epidemiológico de 2018, do Ministério da Saúde, 14.848 pessoas com mais de 55 anos (7% do total de infectados) foram diagnosticados, no Brasil, com HIV nos últimos 11 anos. "Além disso, a edição 2017 do relatório calcula que a população de idosos soropositivos dobrou desde 2007".

Para a infectologista da Faculdade de Medicina da USP, Vivian Avelino, esse aumento não é necessariamente ruim. Ela explica que muitos contraíram o vírus na fase adulta e tiveram a expectativa de vida aumentada devido ao tratamento antirretroviral. "Muitas pessoas mais velhas conseguem sucesso nesse tratamento, deixando o HIV indetectável e restabelecendo a imunidade de forma muito eficaz, sem avançar para a Aids",  aponta.

Quando o preconceito fala mais alto!

De acordo com Cícero, a falta de conhecimento sobre o HIV e o fato de ser homossexual contribuíram para a discriminação, "mas o que mais intensificou o desprezo dos parentes foi o fato dele não ter constituído família ou adquirido bens materiais ao longo da vida".

"Minha família me condenou e me colocou no fundo do poço por eu ter HIV. Mesmo trabalhando, sempre me viram como um sujeito relaxado, sem preocupação com o dia de amanhã. Não consegui ter um carro, uma casa, um filho e uma mulher. Então não me tornei alguém importante (na visão deles), desabafa. Sou uma pessoa desclassificada no conceito dos familiares, e isso pesou sobre o fato de eu ser soropositivo, completa".

Estar fora do padrão tradicional de família imposto pelos parentes nunca isentou Cícero de tocar sua vida: saiu do ramo do turismo, virou taxista, e hoje, já aposentado aos 73 anos, dá aulas de inglês e é fotógrafo nas horas vagas. Além disso, ele perdeu o medo de morrer pelo HIV quando, ainda no começo da doença, começou a tomar os antirretrovirais.

Mesmo levando uma vida normal, passaram-se 19 anos desde a descoberta do HIV e a indiferença dos parentes continua a mesma. Segundo o idoso, o preconceito em torno de sua homossexualidade, da idade avançada e da doença ainda moldam a visão negativa da família sobre ele, o que lhe trouxe dificuldades.

Cícero mora há três anos de favor com o irmão em Itaim Paulista, no extremo leste de São Paulo, e está prestes a ser despejado. "Tenho até março para me mudar. Meu irmão disse que outras pessoas da família deveriam se preocupar comigo, diz. Ele não quer mais me acolher por razões que eu desconheço, mas uma delas é o HIV e o fato de eu ser gay", completa.

O tabu em torno do tema faz Cícero sentir que o afeto e a sexualidade se tornam invisíveis quando a pessoa envelhece. Atualmente, ele revela não ter uma vida sexual ativa devido à depressão e aos antidepressivos que precisa tomar, mas recrimina o preconceito contra o desejo e a libido dos idosos. "Pessoas assim querem tirar o meu direito de sentir prazer", critica.

Aos sexualmente ativos e portadores de HIV, Cícero aconselha que sempre usem da sinceridade ao se relacionar com alguém. "Eu dizia para a pessoa a minha situação e eu fui bem entendido e aceito por alguns. Outros preferiram não fazer nada comigo", aponta.

Cícero é paciente do Centro de Referência de Treinamento (CRT) de DSTs e Aids, em São Paulo, e faz parte do Instituto Vida Nova, que promove a integração social de soropositivos de todas faixas etárias, sobretudo os que estão em vulnerabilidade social. Na ONG, o idoso passa por atendimento psicológico e participa das atividades de convivência.

De acordo com a médica Vivian Avelino, esse amparo é importante na medida em que existem profissionais de saúde que não suspeitam da infecção de HIV em idosos. Isso porque ignoram a possibilidade dele ter uma vida sexualmente ativa. "É comum que essa faixa etária tenha diagnóstico atrasado do vírus. Assim, existem os que só descobrem que estão em quadro avançados devido ao HIV quando a imunidade fica muito baixa", alerta.

Em um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pesquisadores conversaram com 11 idosos, 11 enfermeiros e 12 médicos, "e identificaram que há profissionais que enxergam as pessoas mais velhas como assexuadas".

"Em um dos depoimentos recolhidos, um dos médicos, cujo nome não foi mencionado, diz que não vê necessidade em perguntar sobre sexo. A gente (comunidade médica) imagina que a sexualidade do idoso é zero. Então não perguntamos nada sobre isso, afirma".

"Além disso, um enfermeiro confessa o seu despreparo. Não me sinto à vontade para falar com o idoso sobre sexo. Eu me sinto melhor falando disso com uma adolescente, com uma mulher, do que com um homem idoso, revela".

Vivian Avelino analisa que esses erros das equipes hospitalares e a demora na identificação do vírus "aumentam o risco do sistema imunológico enfraquecer, facilitando o surgimento de doenças como pneumonia, tuberculose e problemas neurológicos. Tudo isso pode ser evitado pelo exame de sangue, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)".

Mesmo diante dessa situação, Cícero Moraes se safou de maiores problemas, e o único resquício do HIV em seu corpo foi a perda do paladar e do olfato. Apesar disso, as sequelas sociais e emocionais do vírus permanecem em sua vida:

"Rejeitado pela família e convivendo diariamente sob o risco de despejo, devido ao preconceito do irmão, ele ainda não sabe ao certo o que será do seu futuro. Por enquanto, ele pretende ir para um asilo ou para um abrigo de pessoas com HIV, cujo nome prefere não dizer".